Intenção de consumo das famílias recua 0,2%
22/02/2025

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou uma leve retração de 0,2% em fevereiro, atingindo 104,5 pontos já considerando os ajustes sazonais. A queda foi puxada, principalmente, pela redução no consumo de bens duráveis, que recuou 1,6% na variação mensal e 4,8% na comparação anual, interrompendo a tendência de alta iniciada em dezembro. Em relação a fevereiro de 2024, o índice acumula retração de 1,1%.
O levantamento da CNC mostra que as famílias com maior poder aquisitivo estão mais cautelosas ao consumir. Entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, a intenção de compra recuou 0,5%, enquanto entre as de menor renda a redução foi de 0,2% em relação ao mês anterior. Já o subindicador Perspectiva de Consumo, que avalia a expectativa dos consumidores para os próximos três meses, também apresentou queda nos dois segmentos: 2,2% entre as famílias de maior renda e 1% entre as de menor renda.
“As famílias já sentem dificuldade em adquirir bens duráveis neste início de ano. Apesar do cenário desafiador, há um esforço em manter o padrão de consumo. No entanto, o comércio já deve sentir a redução das vendas nos próximos meses”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
No recorte por gênero, nota-se maior pessimismo em relação ao consumo, com a baixa na variação anual de intenção de compra de 1,4% entre os homens e de 0,4% entre as mulheres.
Apesar disso, as mulheres demonstraram uma melhora na expectativa de consumo em relação a fevereiro de 2024, com avanço de 1,1%. Já entre os homens, a percepção foi negativa, com um recuo de 2,2% no mesmo período.
O acesso ao crédito continua sendo um fator determinante para o consumo. O subindicador que mede essa variável mostrou queda de 0,4% entre as famílias de maior renda, enquanto aquelas com rendimentos menores registraram um leve avanço de 0,4%.
“A maioria dos componentes do ICF teve alta, com exceção dos duráveis, que teve a maior redução. Isso deixa claro que as famílias sentem o impacto dos juros altos, principalmente os consumidores de maior renda, que estão sendo os mais afetados pela seletividade do crédito”, explica o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares.
Após quatro meses seguidos de queda, os consumidores demonstraram mais otimismo em relação ao emprego. O subindicador “emprego atual”, que mede a satisfação com a ocupação profissional, teve leve alta de 0,2%. Já a “perspectiva profissional”, que avalia a visão dos trabalhadores sobre oportunidades futuras, registrou o quinto avanço consecutivo, subindo 0,4%.
AGORA RN
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