Documentos apontam voo de Moraes em avião de empresa ligada a Vorcaro
03/04/2026

O magistrado nega qualquer irregularidade e afirma que não utilizou aeronaves do banqueiro. Foto: Luiz Silveira/STF
Registros analisados por uma comissão parlamentar indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve em deslocamento entre Brasília e São Paulo em agosto de 2025, em circunstâncias que envolvem empresas de táxi aéreo ligadas ao empresário Daniel Vorcaro. O magistrado nega qualquer irregularidade e afirma que não utilizou aeronaves do banqueiro.
Segundo documentos enviados à CPI, o ministro acessou o terminal de aviação executiva do aeroporto de Brasília às 19h do dia 7 de agosto de 2025, após sessão plenária no STF. Na sequência, três aeronaves privadas decolaram da capital federal com destino a Congonhas, em São Paulo.
Entre os voos registrados, um deles — da empresa Prime, que teve participação societária de Vorcaro até setembro de 2025 — decolou às 20h05 e pousou às 21h33. Já outra aeronave, da FSW PSE, partiu às 19h16, mas o piloto declarou formalmente que Moraes não estava a bordo.
Mensagens e reunião
No dia seguinte ao deslocamento, mensagens atribuídas a Vorcaro indicam um encontro com Moraes. Em conversa com a ex-mulher, Martha Graeff, o empresário escreveu: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”, em referência também ao senador Ciro Nogueira.
Ainda em agosto, no dia 11, o ministro participou de evento jurídico no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Outros registros de viagens
Dados adicionais apontam situações semelhantes em outras datas. Em 16 de maio de 2025, o acesso de Moraes ao terminal executivo foi registrado às 9h30, enquanto um voo da mesma aeronave ligada à empresa de Vorcaro decolou sete minutos depois, às 9h37, rumo a Congonhas.
Já em 1º de agosto, o ministro, a advogada Viviane Barci e um policial da equipe chegaram ao terminal às 12h40. Quatro minutos depois, o mesmo avião partiu para São Paulo, sendo o único voo privado com esse destino naquele horário.
Contrato e posicionamentos
Em nota, o escritório de Viviane Barci informou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation, e que os pagamentos eram realizados por compensação de honorários advocatícios.
O Banco Master, ligado a Vorcaro, manteve contrato com o escritório da advogada entre fevereiro e novembro de 2024, com valor total de R$ 129 milhões ao longo de três anos. O acordo foi encerrado após a liquidação da instituição pelo Banco Central.
Procurado, o gabinete de Moraes não comentou os voos específicos. Em manifestação anterior, o ministro afirmou que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”. Em nota, reforçou que “jamais viajou em avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia”, acrescentando que não conhece o empresário Fabiano Zettel.
A nota, contudo, não detalha eventual uso de aeronaves pertencentes a empresas que tiveram participação societária de Vorcaro.
Com informações do Estadão
Essa publicação é um oferecimento






