Crianças e adolescentes representam quase 30% dos desaparecimentos no Brasil em 2025
01/02/2026

Na prática, os números indicam que delegacias de polícia registraram, em média, 66 boletins de ocorrência por dia. Foto: Instituto do Câncer Infantil/Divulgação
Os registros de desaparecimento no Brasil em 2025 revelam um dado preocupante: crianças e adolescentes correspondem a 28% das ocorrências notificadas no país. De acordo com informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), 23.919 dos 84.760 casos contabilizados ao longo do ano envolveram vítimas com menos de 18 anos.
Na prática, os números indicam que delegacias de polícia registraram, em média, 66 boletins de ocorrência por dia relacionados ao sumiço de pessoas nessa faixa etária. O volume representa um aumento de 8% em relação a 2024, quando foram notificadas 22.092 ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. O crescimento é o dobro do registrado nos casos gerais, que tiveram alta de 4%, passando de 81.406 para 84.760 registros no mesmo intervalo.
Apesar do avanço recente, o total de desaparecimentos em 2025 ainda é quase 14% inferior ao registrado em 2019, ano em que a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas entrou em vigor, quando houve 27.730 ocorrências. Ainda assim, os dados confirmam a tendência de crescimento gradual iniciada em 2023, período que somou 20.445 denúncias.
Outro aspecto que chama atenção é o perfil das vítimas. Embora os homens representem 64% do total de pessoas desaparecidas, no recorte infantojuvenil a maioria dos casos envolve meninas, que correspondem a 62% das ocorrências.
Desde 2019, a legislação brasileira considera como desaparecida qualquer pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa, até que haja confirmação de recuperação e identificação por meios físicos ou científicos.
Classificação dos desaparecimentos
Especialistas destacam a importância de distinguir as circunstâncias do desaparecimento. Entre as classificações mais comuns estão o desaparecimento voluntário, o involuntário — quando não há uso de violência —, e o forçado.
Há ainda uma categoria menos difundida. Segundo Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes), da Universidade de Brasília (UnB), existe o chamado “desaparecimento estratégico”, que ocorre quando a pessoa some como forma de sobrevivência. “É o caso de uma mulher que foge de um companheiro abusivo ou de uma criança vítima de maus-tratos”, afirmou à Agência Brasil, ressaltando que as causas do fenômeno são “complexas e diversas”.
Levantamento do Mapa dos Desaparecidos no Brasil, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta ainda que a maioria dos casos ocorre entre sexta-feira e domingo.
Com informações da Agência Brasil
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