Sob pressão, Moraes nega recuo de decisão sobre Bolsonaro em entrevista a jornal americano
18/08/2025

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes concedeu entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, divulgada nesta segunda-feira (18), na qual reafirmou sua postura firme nos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Moraes garantiu que suas decisões não sofrerão retrocessos, mesmo após sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. “Não existe a menor possibilidade de recuar nenhum milímetro sequer”, afirmou. “Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido.”
O ministro foi alvo da Lei Magnitsky, sancionada pela Casa Branca para punir estrangeiros, sob a alegação de que conduziria uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro. A lei bloqueia quaisquer bens de Moraes no país e impede que ele realizasse transações com cidadãos e empresas americanas, incluindo o uso de cartões de crédito.
A Primeira Turma do STF marcou o julgamento núcleo central da trama golpista que teria participação de Bolsonaro para começar em 2 de setembro. O jornal chamou o ministro de “xerife da democracia” e destacou que suas decisões tiveram repercussão global, incluindo sanções aplicadas a redes sociais como o X, de Elon Musk.
Sobre as críticas de apoiadores de Bolsonaro, Moraes afirmou que se tratam de “narrativas falsas” que prejudicam a relação entre Brasil e Estados Unidos. Ele também mencionou a tarifa de 50% aplicada pelo governo americano a produtos brasileiros e citou o deputado federal Eduardo Bolsonaro como responsável pela interlocução com Washington.
“Essas narrativas falsas acabaram envenenando o relacionamento — narrativas sustentadas por desinformação nas redes sociais. O que precisamos fazer, e o que o Brasil está fazendo, é esclarecer os fatos”, disse.
Moraes reconheceu que o período de sanções e críticas não é confortável, mas destacou que a defesa da democracia é prioridade. “Enquanto houver necessidade, a investigação continuará”, afirmou.
R7
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