Saúde

RN teve mais de 2 mil amputações em pacientes com diabetes desde 2022

25/05/2025


 

Os hospitais públicos do Rio Grande do Norte registraram, desde novembro de 2022 até o fim de 2024, 2.143 amputações realizadas em decorrência de diabetes. De acordo com a Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap/RN), o número é um reflexo das falhas presentes na Atenção Primária à Saúde (APS), responsável pelos cuidados preventivos junto aos pacientes atingidos pela doença. Os dados são da Sala de Situação da Linha de Cuidado Vascular, que integra o Sistema Regula RN, e foram cedidos pela Sesap à reportagem da Tribuna do Norte.

De acordo com o Ministério da Saúde, a diabetes pode ser descrita como uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina. A tipo 1 é considerada uma doença crônica não transmissível e aparece geralmente na infância ou adolescência, enquanto a tipo 2 pode estar associada a outras condições de saúde como sobrepeso e hipertensão.

Uma das principais preocupações relacionadas à doença é o chamado “pé diabético”, que pode levar à amputação. De acordo com a médica endocrinologista Alessandra Seabra, o problema é desencadeado quando há um mau controle glicêmico da diabetes por vários anos, somado a condições como neuropatia diabética ou a doença arterial obstrutiva periférica.

“Uma feridinha pequena no pé de um diabético, que tem a doença sem um controle adequado, junto com o tabagismo, colesterol alto e hipertensão arterial são fatores que colocam esse paciente em maior risco de amputação dos dedos dos pés, ou até da perna inteira”, explica a especialista.

Na última quarta-feira (14), o Governo do Rio Grande do Norte sancionou a Lei Nº 12.165, que institui a “Semana Salvando Pernas”, voltada à prevenção de amputações causadas por complicações da diabetes. A iniciativa vai ser realizada anualmente na segunda quinzena de agosto e integra as ações do Programa de Saúde do Pé Diabético no Estado.Entre as atividades previstas estão seminários voltados à conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de lesões nos pés de pacientes com diabetes.

Na avaliação de Alessandra Seabra, as campanhas educativas podem ter um papel importante na redução dos casos de diabetes no Estado, especialmente na prevenção do ganho de peso. Isso porque a forma mais frequente do diabetes é a tipo 2, geralmente desencadeada pelo excesso de peso. Aliado a isso, ela defende políticas públicas para fornecer medicamentos aos pacientes com obesidade. “No SUS, não existe nada para o tratamento da obesidade/sobrepeso, e isso é um agravante para essa situação tão alarmante nos números de casos crescentes de pessoas com Diabetes”.

 

Unicat

 

Embora exista uma lacuna no tratamento para a obesidade, o sistema de saúde pública assegura o tratamento para diabetes e fornece a insulina para os pacientes que têm a doença. No Rio Grande do Norte, mais de mil pessoas com diabetes tipo 1 são atendidas pela Unidade Central de Agentes Terapêuticos (UNICAT). Ao todo, são 1.138 pessoas cadastradas para receberem a insulina análoga, voltada à regulação dos níveis de açúcar no sangue. Os dados são da Coordenação do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica do Estado e foram cedidos à reportagem da TRIBUNA DO NORTE pela Unicat Central.

Ao todo, a Unicat contempla oito unidades distribuídas em Natal, Assu, Caicó, Currais Novos, Mossoró e Pau dos Ferros. No primeiro quadrimestre deste ano, segundo dados da Sesap, o serviço entregou 12.854 unidades de insulina de ação rápida e 816 unidades de insulina de ação prolongada.

Além de atender os pacientes com diabetes tipo 1, a Unicat também é responsável pela distribuição do medicamento dapagliflozina, voltado aos pacientes com diabetes tipo 2. Segundo a Unicat Central, a medicação está em falta em decorrência de fracassos nos processos licitatórios, mas os pacientes que precisam podem ser atendidos pelo Pró-Sus e Farmácia Popular.

Questionada sobre a previsão de retorno da oferta do medicamento, a Sesap informou estar trabalhando junto à Unicat em um processo licitatório “para retomar o abastecimento em breve”.

 

Diabetes atinge 10% da população

 

O diabetes atinge 10,2% da população brasileira, conforme dados da pesquisa Vigitel Brasil 2023 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). Índice representa aumento com relação a 2021, quando era 9,1%. O último inquérito Vigitel mostra também que o diagnóstico é mais frequente entre as mulheres (11,1%), do que entre os homens (9,1%).

A pesquisa Vigitel Brasil 2023 identificou ainda que o diagnóstico de diabetes na população adulta residente nas capitais brasileiras aumenta, conforme o avanço da idade dos entrevistados, e com o nível de escolaridade. Entre quem tem mais de 65 anos, 30,3% têm diabetes. E quando considerados os anos de estudo, aqueles com a menor escolaridade (entre 0 a 8 anos), apresentam o maior percentual de diabetes (19,4%).

O Brasil é o quinto país em incidência de diabetes no mundo, com 16,8 milhões de doentes adultos (20 a 79 anos), ficando atrás apenas ea China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Porém. a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que o Brasil possa subir para quarta posição neste ranking.

No país, cerca de 90% dos diabéticos brasileiros são do tipo 2, quando o corpo desenvolve resistência aos efeitos da insulina e pode ter causas hereditárias ou ligadas a hábitos de vida. A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que mais de 46% da população não sabem que têm a doença.

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